Variáveis clínicas associadas ao grau de incapacidade física na hanseníase

Janete silva Rezende da Silva, Iaci Proença Palmeira, Antônia Margareth Moita Sá, Laura Maria Vidal Nogueira, Angela Maria Rodrigues Ferreira

Resumen


Introdução: Os danos nos nervos periféricos contribuem para a instalação das incapacidades físicas na hanseníase, levando a estigma social e sofrimento. Objetivou-se analisar a associação entre as variáveis clínicas e os graus de incapacidade física em casos novos de hanseníase. Materiais e Métodos: Estudo transversal e analítico, realizado na Unidade de Referência em hanseníase do Estado do Pará-Brasil. Os dados foram obtidos em 323 prontuários de pacientes diagnosticados com hanseníase, no período de 2005-2014. Para verificar a força de associação entre as variáveis utilizou-se o cálculo da Razão de Prevalência (RP). Resultados: O percentual de Grau 1 e 2 de incapacidades físicas somou 28,1% e as variáveis clínicas que tiveram associação à sua instalação foram: ser multibacilar (RP=7,2); ter baciloscopia positiva (RP= 2,0); apresentar episódios reacionais (RP=2,4); e possuir 4 ou mais nervos afetados (RP=17). Discussão: O predomínio da forma clínica contagiosa e potencialmente incapacitante aumenta o risco de reações e comprometimento neural, levando às incapacidades. Conclusões: São necessárias ações mais efetivas para o diagnóstico precoce e redução das incapacidades, bem como, potencializar a capacidade operacional da atenção básica para fortalecimento das ações do programa de hanseníase.

Como citar este artigo: Silva JSR, Palmeira IP, Sá AMM, Nogueira LMV, Ferreira AMR. Variáveis clínicas associadas ao grau de incapacidade física na hanseníase. Rev Cuid. 2019; 10(1): e618. http://dx.doi.org/10.15649/cuidarte.v10i1.618


Palabras clave


Hanseníase; Epidemiologia; Fatores de Risco; Pessoas com Deficiência.

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